Templo de Salomão

Templo de Salomão
O Templo de Salomão é uma edificação construída no Monte Moriah pelo filho do rei David, Salomão, onze séculos antes de Cristo e tinha como propósito ser o marco material da presença do deus Jeová entre os judeus. Além de prestar adoração a esta divindade, lá se guardavam as tábuas da lei gravadas em pedra pelo próprio Jeová. Este deus é descrito pelos registros como ciumento, que exigia adoração exclusiva, razão pela qual o povo judeu sempre caia em desgraça, vencido por conquistadores poderosos como caldeus, persas e romanos, levando aquela edificação ser por diversas vezes destruída e reconstruída.

Chega-se, até ao presente, informações que quando da construção do templo, o respeito e veneração que se tinha pela presença de Jeová no local era tal que não se ouviam ruídos de ferramentas de nenhuma espécie.

Todo material chegava ao pátio de obras devidamente cortado, ajustado e polido. Conta a tradição simbólica maçônica ser esta a razão dos malhetes usados em loja serem confeccionados em madeira. Mesmo que sejam cantados em salmos que a suntuosidade daquele local de adoração de Jeová era enorme, este era em verdade pequeno em tamanho, até para a época, e diminuto se comparado às pirâmides dos egípcios, que de sua parte exerciam grande influência na arquitetura regional. Muito do encontrado em registros, que dizem respeito às características daquela edificação, foram copiados da cultura egípcia.

A decoração do templo era rica e bela, de modo a concorrer com os templos dedicados a outros deuses dos visinhos do povo judeu em sua época. Mas tudo não passava de ostentação material, tendência que foi transmitida aos seus descendentes até nossos dias. O templo material como casa da divindade é imperativa para aqueles que não conseguem separar-se de sua materialidade e tentam aprisionar seus deuses em casa de pedra, tijolos e argamassa.

O templo de Salomão foi emprestado pelos maçons para servir de modelo na construção de seus lugares de reunião. Não é uma réplica daquela edificação. Modelar a edificação de templos maçônicos ao templo de Salomão é apenas uma homenagem a uma personalidade que, segundo consta, era possuidor de grande sabedoria e aplicador de justiça. O templo de Salomão e o templo maçônico têm entre si uma apenas relação simbólica.

Não se trata de uma reprodução, mas de grosseira imitação, estilização, daquela edificação sagrada para o povo de Israel. O templo maçônico é em muito diferente do templo de Salomão em ornamentação, função e objetivo.

Em relação aos seus templos, o maçom usa diversas imagens mentais relacionadas como: da idéia de representação do Universo; do centro do Universo; e das criações do Grande Arquiteto do Universo. O próprio Grande Arquiteto do Universo é apenas um conceito e não um deus como o interpretado para aquele deus dos judeus do templo de Salomão. A Maçonaria pouco tem de original, de sua lavra, ela empresta de outras culturas os modelos, símbolos, ferramentas, e quase sempre de forma estilizada; assim o é com respeito aos seus templos.

O fato de o templo maçônico ser sagrado pelo grão-mestre da obediência não o torna local sagrado ao ponto de lá se manifestar ou aprisionar a divindade. A sagração dos templos maçônicos é uma espécie de aprovação e purificação simbólica do local pela autoridade competente, um local de estudos e não um local de adoração. Nesta edificação, o maçom especula e trabalha em si mesmo, sendo ele um templo vivo, a pedra. O maçom não presta culto a Deus em seus templos, apenas o invoca com o objetivo de obter a sua aprovação, orientação e proteção para toda boa obra.

Poderia até dispensar qualquer tipo de edificação para realizar seus trabalhos, só o fazendo em templos para seu conforto físico e privacidade ritualística.

O templo maçônico representa a Terra, os seres humanos reunidos como família, a reunião de todas as ciências, o local onde se transmitem conceitos de fraternidade, igualdade e liberdade; é o espaço aonde não existe separação de raça, religião ou ideologia política; é a sala de aulas para o desenvolvimento da consciência planetária do terráqueo organizado em sociedade fraterna; é simbolicamente a miniatura do grande Universo e do pequeno universo que cada obreiro tem dentro de si; é o local onde a criança é recebida como Lowton, o jovem passa a freqüentar grupos DeMolays e depois o homem de valor, livre e de bons princípios é iniciado na Maçonaria.

Com a iniciação, o maçom tem a seu dispor no templo as ferramentas, símbolos e irmãos para elaborar a sua própria construção interna. Tudo depende apenas da força e persistência individual. A Maçonaria apenas propicia os meios para a construção de uma sociedade na qual reina absoluto o amor fraterno, a única solução de todos os problemas da humanidade. A sublime instituição apenas propicia o espaço físico especial, devidamente ornamentado, provido de ferramentas, de modo que cada maçom desenvolva a possibilidade de tornar-se um ser humano melhor do que já é. O trabalho é de competência de cada obreiro, apenas o indivíduo tem a capacidade de mudar a si próprio.

E quando ele muda o seu caráter e personalidade, os outros que o rodeiam mudam também. Numa espécie de efeito dominó, um maçom contagia o outro para o bem e os maçons, de sua parte, contagiam os outros homens da sociedade.

O templo representa o que cada maçom é por dentro, um templo daquilo que cada um tem como a representação de sua própria divindade. O templo é o próprio corpo do maçom. Assim como o templo de Salomão é modelo para a Maçonaria edificar os seus templos de pedra e cimento, o templo maçônico é para o maçom o modelo do universo interior, que ele possui dentro de seu corpo físico. O templo de pedra é modelo do templo de carne, ossos e intelecto. Devido a esta comparação, o templo de pedra é respeitado pelo maçom como se fosse o seu próprio corpo, um lugar que ele jamais conspurca; esta a razão do grão-mestre purificar simbolicamente o templo de pedra.

Deve-se deixar bem esclarecido que o corpo físico não é o local físico do deus de cada um; em Maçonaria isto é simbólico. Qualquer tentativa de desejar encontrar o deus dentro de seu corpo físico é vã, é um exercício antropomórfico. O que existe dentro de cada um é um modelo em miniatura do grande universo que existe fora, apenas isto. Tentar materializar a divindade em qualquer local físico é mero exercício vicioso de tentar retratar o deus como imagem do homem ou de suas coisas. A divindade existe apenas como um exercício especulativo e nunca como criatura, energia ou coisa.

O maçom tem sua crença num princípio criador, numa especulação intuitiva de que existe uma mente orientando os processos de criação, deixando-os livres para seguirem as leis naturais para as quais cada criatura da biosfera evolui em complexidade crescente. E nunca, em momento algum, transporta suas considerações de deus para o mundo material; sempre que alguém o tenta, esbarra em sérias discussões vazias e desconexas.

O templo de Salomão é o modelo do templo maçônico, que por sua vez é modelo do templo interior de cada maçom. Tudo simbólico. O templo é parte das ferramentas que auxiliam o raciocínio do homem em suas especulação de se autoconhecer, de buscar sua razão de ser, especular de onde vem e para onde vai. É um grãozinho de areia neste Universo infindo usando de sua capacidade de pensar e sentir o Universo, sendo ele mesmo parte deste mundo. E ao sentir-se parte de algo maior, tão complexo e belo como ele, esta criatura vivente lê simbolicamente em cada elemento da natureza a assinatura daquilo que ele denomina pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo.

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