Ademar de Barros

O velho Adhemar Pereira de Barros nasceu em Piracicaba em 22 de abril de 1901 e formou-se em medicina em 1923 pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro. Entre 1923 e 1926 fez cursos de especialização e aperfeiçoamento na Alemanha (Universidade de Berlim) e em hospitais na França, Inglaterra, Áustria e Estados Unidos. Poliglota, Ademar era fluente em alemão, francês, inglês e espanhol. De volta ao Brasil trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro sendo em seguida voluntário, como tenente-médico, na Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, como grande parte dos jovens paulistas de sua época. Com a derrota do movimento constitucionalista exilou-se no Paraguai, onde se alistou como médico na Guerra do Chaco entre Paraguai e Bolívia (1932/1933). Nos seus governos sempre procurou beneficiar os ex-combatentes de 1932 com pensões e homenagens, tendo, em 1947, iniciado a construção do Monumento do Soldado Constitucionalista, em São Paulo. Novamente no Brasil, foi constituinte em 1935 e deputado estadual entre 1935 e 1937. Após seu mandato como interventor federal (1938/1941) fundou o Partido Social Progressista – PSP, sendo seu presidente de 1945 a 1965. Como interventor federal iniciou a eletrificação da Sorocabana, as Rodovias Anchieta e Anhanguera, o Hospital das Clínicas, o Estádio do Pacaembu (junto com o Prefeito nomeado Prestes Maia para a Copa do Mundo de 1942 que acabou não se realizando devido a eclosão da Segunda Guerra Mundial) e a retificação do rio Tietê. Eleito Governador em 1947 concluiu o Hospital das Clínicas e realizou uma série de outras obras. Foi Prefeito da Capital de 1957 a 1961. Se tornou um dos mais hábeis políticos de massa no período e após o governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra (1946/50), após o término da ditadura do Estado Novo. Perspicaz nas suas alianças, conseguiu eleger-se ora governador, ora prefeito, fazendo uma carreira planejada para chegar a Presidência da República.

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Na vida nacional inaugurou o que ficou conhecido como “populismo de favores”, uma característica de Adhemar para fazer suas alianças. Serviu a ditadura Vargas como interventor em São Paulo perseguindo comunistas. Em 1947 em pleito direto foi eleito governador na aliança PSP/PC, quando o antigo perseguido Luiz Carlos Prestes e presidente do Partido Comunista, subiu aos palanques para apoiá-lo. Eleito pela segunda vez Governador no ano de 1964, realizou em São Paulo a “Marcha com Deus pela Liberdade”, um estopim para o golpe de deposição do Presidente João Goulart, em nome da luta contra o comunismo.
O Irmão Adhemar de Barros foi iniciado maçom, elevado e exaltado no dia 12 de dezembro de 1949 pela Loja Guatimozin 66 quando era governador, com idade de 48 anos, conforme consta em nossas atas. Quando a Loja Guatimozin passou para a Grande Loja Unida de São Paulo, criou-se uma nova Ficha de Inscrição para o então prefeito de São Paulo, porém ao preenchê-la cometeram um erro, grafando como iniciado, elevado e exaltado em 6 de outubro de 1949. Uma cópia da ficha com sua foto da Loja Guatimozin nº 10 (vista ao lado) da época pertencente a Grande Loja Unida de São Paulo, e constando o número de seu cadastro como 329, em 1956. Em 1960, então Prefeito da cidade de São Paulo, quando se preparava para o embate das eleições presidenciais, o arcebispo de Porto Alegre Dom Vicente Schoerer acusou-o de maçom pela imprensa. Adhemar não teve dúvidas, mandou uma carta ao bispo onde solicitava esclarecimentos e negando que tivesse pertencido ou participado da Maçonaria e exigindo reparações, pois a denúncia às vésperas da eleição poderia servir de instrumento para seus adversários. A notícia foi publicada na Folha de São Paulo em 9 de setembro de 1960. Adhemar de Barros de fato perdeu as eleições, mas para outro maçom, o Irmão Jânio Quadros, que por sua vez, sofreu violenta contra-campanha da Igreja e tinha seu nome em cartazes pregados nas paróquias com idêntica advertência aos eleitores de que era maçom. Na época Jânio Quadros teve a maior votação da história brasileira e Adhemar de Barros nunca mais voltaria a disputar outra eleição.
Teve cassado seus direitos civis pela própria Revolução de 64, da qual foi um dos principais mentores e participante. Foi destituído em pleno mandato de governador em 1966 pelo governo militar, vindo a falecer em Paris 12 de março de 1969 em completo ostracismo.

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