Maçonaria em Cuba

O governo cubano, no início do chamado processo revolucionário, quis dar a imagem de um governo adornado de popular, por isso apóia em seus discursos nas sempre esperanças perdidas dos pobres.

Aboliu o Evangelho de Jesus na educação das crianças, que, também viram desaparecer pouco a pouca as revistas infantis, os desenhos animados de Walt Disney, que foram desaparecidos dos meios de divulgação porque eram considerados “diversionismo ideológico”.

As crianças estão com seus sapatos feios e rasgados. Por que não tenho sapatos, papai? Uma pergunta normal de uma criança pobre cubana.

A idéia da crônica fez com que fossemos transportado para alguns fatos ocorridos em Cuba.

Almoçando em um restaurante de hotel, o garçom aproximou-se lentamente, com muito cuidado, olhando para os lados e para cima, e sabendo que era um turista estrangeiro, com humildade pediu que eu comprasse um par de sapatos brancos em uma loja bem próxima ao hotel, pois sua filha estava precisando de um calçado novo, ainda porque estaria completando quinze anos de idade, dali a poucos dias, e seria um importante presente, a pedido da filha.

Escondido, passou-me o dinheiro, em moeda americana, no limite da compra. Ele, cubano, estava impedido de entrar na loja e comprar qualquer produto. Porque, os preços eram em dólares. E ao cubano era proibido ter dólares. E mesmo assim, se não bastasse, a loja não era para cubanos, e somente os estrangeiros poderiam freqüentá-la.

E se não cumprisse essa determinação do governo, estaria sujeito à detenção.

Assim estava na Loja para comprar o sapato. Um modelo antigo, mas era o suficiente para satisfazer ao desejo da filha. Enfim, estava há completar quinze anos, e com o sapato novo poderia mostrar às amigas o seu presente, que o pai lhe havia dado. Isso era muito importante, ter conseguido o par de sapatos brancos.

De volta ao restaurante, com os sapatos brancos, procedi à entrega ao garçom. Senti no seu olhar uma alegria. Naquele momento, a um pequeno barulho, ele se volta à porta da cozinha do restaurante.
Um homem alto, negro, de avental, estava me olhando. Fui saber depois que se tratava do cozinheiro daquele restaurante.

Curiosamente ele procurava manifestar um sinal indicativo, repetidas vezes, mas com bastante sutileza. Obviamente percebido também pelo garçom.

Perguntado, o garçom contou que o cozinheiro também precisava comprar uns óculos negros para a sua esposa, que já o tinha visto, mas, da mesma maneira, não podia entrar na loja para comprar. Já tinha comprado os sapatos. Assim, não poderia negar a comprar os óculos.

Novamente no restaurante, na presença do garçom, o cozinheiro agradeceu, fazendo novamente o sinal indicativo. Então, perguntei se ele era maçom. A resposta foi positiva. E o garçom também era maçom. Dia seguinte retornei ao mesmo restaurante, até porque não havia outra opção naquele bairro, e passamos a conversar sobre a maçonaria cubana. Não fomos convidados e não estivemos em nenhuma loja maçônica de Cuba.

A Maçonaria

A maçonaria se estabelece de forma definitiva em Cuba a partir da chegada a Ilha de milhares de emigrados franceses, procedentes do Haiti, que trouxeram com eles as Lojas Persoverance, a Concorde, a Lê Amistéd e a La Bonefique Concorde, instalando-se as duas primeiras em Santiago de Cuba e as outras duas em Havana, podendo presumir-se que aconteceu entre 1798 e 1802.

Em 17 de dezembro de 1804 se constitui a primeira Loja cubana, com patente da Grande Loja da Pensylvania, expedida em nome do maçom de origem francesa Joseph Cerneau.

A partir da reunião das Lojas antes citadas de Havana funda-se em 27 de março de 1820 a Grande Loja Espanhola do Rito de York. Essa Grande Loja, que de espanhola tinha só o nome, teve uma notável influência na formação do pensamento cubano.

Nas Lojas maçônicas da época se reúnem os elementos mais liberais e ilustrados da sociedade cubana. Mas, com receio de conspirações separatistas, o império espanhol, através de decreto emitido por Fernando VII, emitido em 11 de março de 1824, determinou que as atividades fossem suprimidas em todo o império colonial.

Em Santiago de Cuba, em 5 de dezembro de 1859, funda-se a Loja Fraternidad, em virtude de Carta Patente emitida em nome de Andrés Cassad, pela Grande Loja da Carolina do Sul, estendendo-se as atividades maçônica a Havana, Matanzas e outras regiões de Cuba, prevalecendo nela o espírito liberal e progressista.

O primeiro Grande Mestre eleito foi Francisco de Grinan y Mozo. No dia 15 de fevereiro de 1870 foram fuzilados na fazenda agrícola “San Juan de Wilson”, o Grande Mestre Irmão José Andrés Puente Bedell, e outros maçons, por suspeitar-se que estavam colaborando com as forças separatistas cubanas.

Em 22 de março de 1862 foi criado em Havana, pelo Irmão Vicente Antonio de Castro, o “Grande Oriente de Cuba e Antilhas”, com o fim de trabalhar pela independência de Cuba, nela incorporando-se homens da mais alta posição social, intelectuais e, sobretudo, jovens talentosos de pensamento marcadamente separatista.

A este Corpo pertenceram as Lojas Buena Fé, de Manzanillo, cujo Mestre foi Carlos Céspedes, a Estrela Tropical, de Bayamo, que presidia Pedro Figueredo Cisneros, a Tínima, de Puerto Príncipe, a que estava filiado Ignácio Agramante Loynaz, assim como Amor Fraternal, Fé Maçônica e Luz do Sul, ainda existentes, as duas primeiras em Havana e a última em Trinidad.

Em 4 de agosto de 1868 se efetua a “Convenção de Tirsan”, para ultimar os preparativos da guerra, sendo que todos os seus participantes estavam filiados ao Grande Oriente de Cuba e Antilhas.
Na Assembléia Constituinte de Guáimaro, efetuada em 10 de abril de 18568, dos 18 convencionais, 13 eram maçons, sendo encarregados de sua redação os maçons Antonio Zambrana e Ignácio Agramante, em face do documento ter sido eminentemente maçônico, igual à Carta Fundamental dos Estados Unidos, obra de maçons norte-americanos.

Em 10 de outubro de 1868 se efetuou a última reunião deste alto Corpo Maçônico, incorporando-se grande parte de seus integrantes às fileiras da insurreição, outros partiram ao exílio e não poucos encarcerados.

A Grande Loja de Cuba e Antilhas tem passado á história como a instituição que mais trabalhou por criar condições necessárias para o início da Guerra dos Dez Anos.

Em primeiro de agosto de 1876 funda-se a Grande Loja da Ilha de Cuba, em Havana, que se funde com a Grande Loja de Colón, em 28 de janeiro de 1880, para formar a Grande Loja Unida de Colón de Ilha de Cuba, precursora da atual Grande Loja de Cuba.

Em 24 de fevereiro de 1895 inicia a Guerra da Independência, e em 4 de abril, o General Callejas suprime os trabalhos da maçonaria cubana, continuando seus trabalhos somente a Loja Padilla.

Os trabalhos da maçonaria se reorganizam em 26 de março de 1899, resultando eleito o Grande Mestre Irmão Juan Hérnandez.

Grande-Templo-Nacional-Maçônico-da-Grande-Loja-de-Cuba1

Grande Templo Nacional Maçônico em La Habana

Em 25 de março de 1951, em Havana, colocar-se-ia a primeira pedra do edifício que até hoje é conhecido como o Grande Templo Nacional Maçônico da Grande Loja de Cuba, que consta de onze andares, cinco dos quais estão dedicados aos trabalhos da maçonaria cubana, e que foi sede da III Conferência Interamericana da Maçonaria Simbólica, nos dias 26 e 27 de fevereiro de 1955, coincidindo com a sagração do templo, sendo Grande Mestre da Grande Loja de Cuba o Irmão Carlos Manuel Pinero y Del Cueto. (Irmão Gustavo Pardo Valdés, 33, Grande Loja de Cuba).

Atualmente existem cerca de 28.000 maçons, distribuídos em 300 Lojas. A maçonaria existe normalmente em Cuba, na atualidade, e mantém suas reuniões em Lojas distintas, desde que eles chegaram a Ilha em séculos passados.

Quase todos os grandes patriotas das guerras de independência contra a Espanha pertenciam às Lojas maçônicas e, inclusive, as Lojas serviram como centros de conspiração para preparar a independência. Isso está reconhecido nos textos oficiais da História que se usam nas escolas cubanas. Atualmente se mantém ativas quase todas elas.

Mas pesa sobre elas, as Lojas maçônicas, um grande controle por parte do governo. Nos dias 10 a 12 de junho de 2005, em Santiago de Cuba, se realizaria o Encontro Internacional Antonio Maceo Grajalles, para render tributo ao histórico maçom de mesmo nome, reunindo, nesse evento maçônico internacional, Lojas de Cuba e do exterior.

Um mês antes da data do evento, o Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, em Havana, negou a realização desse conclave maçônico. Em face de negativa do Órgão Comunista, controlador e fiscalizador de qualquer evento público no país, onde podem se reunir um número considerável de pessoas seja qual for à finalidade e objetivo, a Comissão Organizadora teve que suprimir o evento programado, assim, por causa da não permissão de realização do encontro dos maçons em Santiago de Cuba.

A maçonaria cubana, sem capacidade de enfrentar uma decisão dessa espécie, e se o fizesse o contrário, estaria incorrendo numa violação da legislação do partido comunista, só restou pedir desculpas aos convidados cubanos, e aos do exterior, que já haviam realizado as inscrições. (Irmão Angel Ruben Mujica Márquez, presidente da Comissão de Cultura Provincial, Loja de Santiago de Cuba).

O Doutor Carlo Nobili, antropólogo do Museo Nazionale Preistórico Etnográfico “Luigi Pigorini”, desde Roma/Itália, por correio eletrônico, em 1 de julho último, expõe a sua opinião e conhecimentos sobre a maçonaria cubana, nos termos que se seguem:

Sei que José Martí, máximo pensador cubano, (foi um maçom). O que conheço sobre o assunto é que foi a influência das idéias da maçonaria, em seu sentido mais universal e de solidariedade humana, que contribuiu para que se tomasse consciência de que a guerra pela independência devia livrar Cuba da metrópole espanhola, bem como dos apetites imperiais.

A imensa maioria dos presidentes, começando por Carlos Manuel de Céspedes, foram maçons. Também foram maçons Martì, Gómez e Maceo. A epopéia de 1868 surgiu com a influência da Grande Loja do Oriente (de Cuba) e das Antilhas.

E ademais, isso eu asseguro, muitas são em Cuba as instituições fraternais, inclusive as Lojas maçônicas.

Mas, todas sob o rígido controle do governo. A Grande Loja de Cuba, mais conhecida popularmente como o Edifício Maçônico, é uma das instituições sob controle. Foi construído por volta de 1955 para as funções de Templo e sede central das entidades maçônicas de Cuba e chegou a albergar a Universidade Maçônica.

Sua arquitetura combina os estilos eclético, clássico e modernista. Lá se empregou a pedra denominada “jaimanitas”, de grande valor contra a erosão. Esta importante edificação está incluída entre as obras arquitetônicas mais significativas da cidade de Havana.

Encontra-se na atual Avenida Salvador Allende, no centro da capital cubana.

A Grande Loja Ocidental Ordem Cavaleiros da Luz (Gran Logia Occidental Orden Caballero de la Luz), fundada em 1873, funcionando como Templo e sociedade fraternal maçônica, ocupou espaço nesse Edifício, a partir de 1958, cujo nome rende homenagem ao filósofo e pedagogo cubano José de la Luz Caballero (1800-1862).
Atualmente está localizada na Calle Infanta, esquina a Santa Marta, no centro de Havana. A Gran Logia de Cuba de la Independiente Orden Odds-Fellows encontra-se no Município Cerro, perto da capital. O Supremo Conselho do Grau 33 para a República de Cuba está na Calle Jovellar, centro de Havana.

Frank Hernandez Trujillo, Grau 32, do Grupo de Apoio a Democracia, sediado em Miami/FL, com quem mantive contato em 6 de julho último, esclarece mais alguns aspectos sobre a maçonaria cubana, nos seguintes termos:

As Lojas têm continuado funcionando durante o período da chamada “Revolução Cubana”, com as limitações impostas pelo governo castrista. De forma breve e resumido conto mais. Assim, as Lojas têm que dar ao governo uma cópia das atas de cada reunião realizada. É assim mesmo, terminada a reunião, a Loja é obrigada a levar uma cópia da ata ao comando regional da polícia do partido comunista cubano, que, inclusive, tem uma sala controladora e fiscalizadora no Edifício Maçônico.

As atividades sociais, que antes aconteciam fora do Templo, foram proibidas. Eventos, conclaves, necessitam de prévia autorização do delegado controlador do partido comunista.

Caso contrário, pode incidir em prisão, em face ao descumprimento às determinações legais. Até pode acontecer, mas de forma limitada e com prévia autorização. Por exemplo, a colocação de coroas de flores a José Martí (maçom e cubano ilustre) no dia de seu natalício tem que ser aprovado pelo governo.

Está proibido o movimento da AJEF, entidade Paramaçônica juvenil, já que interfere com os trabalhos de proselitismo do regime entre a juventude.

Em resumo, está funcionando, porém, sob um estrito controle do governo, que mantém espiões em todas as atividades maçônicas, inclusive em entidades religiosas ou fraternais. Apesar disso, centenas de jovens se aproximam da fraternidade maçônica, buscando respostas e o pouco de liberdade que se respira dentro das Lojas.

Dos 75 condenados à prisão na primavera de 2003 por atividades denominadas “contra-revolucionárias”, temos 13 Irmãos, incluindo um do grau 32 e outro do grau 33.

Há uma informação de que entre essas 75 pessoas presas em 18 de março de 2003, depois condenadas, está o possível maçom Librado Linares Garcia.

Librado Linares Garcia, “preso de consciência”, julgado e condenado em 4 de abril de 2003, listado entre os 75 detidos na primavera de 2003, tem 43 anos de idade, engenheiro elétrico, encontra-se na prisão de “Ariza”, na cidade de Cienfuego, desde 10 de agosto de 2004. Librado foi sancionado a 20 anos de prisão, segundo o juiz julgador (lá dizem “licenciado”), por delito de atentar contra a soberania e a integridade da nação cubana.

FILHAS DA ACÁCIA

A Instituição Maçônica sempre tem se preocupado pela mulher, por considerar que a família e a casa são as bases fundamentais de toda nação que aspire seriamente um lugar entre os países civilizados e de fundo social e filosófico.

Transcorria a década dos anos de 1930, quando O Irmão Gabriel Garcia Galán, de larga e brilhante trajetória maçônica, sonhou em incorporar a mulher à obra maçônica do homem, e uma vez convencido do valor da sua idéia incansável, lutou até fazê-la realidade.

Preparou uma moção sobre seu projeto, que era o de criar uma Instituição Paramaçônica constituída exclusivamente por mulheres e totalmente autônoma, baseada nos preciosos postulados da Maçonaria Universal, porém, com regras e liturgias próprias. E depois de muito estudar, apresentou a sua proposição na Sessão Semestral da Grande Loja de Cuba do ano de 1936, que foi aceita por maioria.

Para sua bela obra o fundador havia buscado um nome simbólico: “Hijas de la Acácia”.

Escolheu-se o dia 21 de Março, domingo, efeméride gloriosa do natalício do notável maçom mexicano, o Irmão Benito Juarez, o benemérito das Américas, para fundar essa associação.

Às 5 da tarde, na “Catedral Escocesa” da cidade de Havana, sob a proteção de quase todo o Supremo Conselho do Grau 33 para a República de Cuba, nasceu a “Hijas de la Acácia”, sob forte emoção dos presentes, com um grupo de 43 mulheres cheias de entusiasmo e esperanças.

Com o decorrer dos anos, esta associação teve altos e baixos, passou por anos críticos, abateu colunas, e se produziu um total distanciamento de seus propósitos iniciais. Queda do ditador Baptista, Revolução Cubana, transições governamentais e políticas, enfim, tudo contribuiu para o abatimento dos propósitos das “Hijas de la Acácia”.

Em 1995 começa-se a ver um renascer nesta Instituição feminina com um incremento de iniciações de mulheres jovens, que em sua maioria são profissionais, cujo entusiasmo, unido à experiência das Irmãs mais velhas, dá novas forças à Instituição.

E assim a “Hija de las Acácias” retornou e continua os seus trabalhos. Em março ocupava o cargo de presidenta dessa Instituição a Honorável Irmã Doutora Mirta López Almiral. – mas, tudo sob rígido controle do órgão fiscalizador do partido comunista cubano, e também, cópias de suas atas devem ser entregues ao partido, sob pena de violar determinações do governo.

Fonte: http://www.obreirosdeiraja.com.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: